segunda-feira, 7 de julho de 2014

"É BOM SABER QUE HÁ DEUSES LÁ FORA, PORQUE AÍ TEMOS ALGUÉM PARA CULPAR QUANDO AS COISAS DÃO ERRADO."

Acredito que carregamos dentro de nós, características de TODOS os titãs, deuses e heróis. Não à toa os estereótipos estão aí sendo jogados nas nossas fuças o tempo todo, nos acompanhando em cada ciclo de vida que passamos desde sempre (nós, enquanto pessoinhas individuais e nós, gigantesca humanidade) . Quiçá, usando as histórias e características dos caras, possamos entender um pouco mais sobre nós mesmos. Essa é a ideia inicial desse blog: o tal do "homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerá os deuses e o universo" do templo de Apolo. Num jogo mental, tentei encontrá-los aqui dentro de mim. O resultado da brincadeira segue abaixo. "Culpa" dos deuses:

AFRODITE - não ter certeza de quem você ama e de quem ama você é metade da graça.
APOLO - adoro um oráculo, uma boa profecia.
AQUILES - tenho uma infinidade de pontos fracos.
ARES - acabo exacerbando tanto as paixões a ponto de atrapalhar a capacidade de pensar (a vida é curta, precisamos viver tudo intensamente).
ÁRTEMIS - carrego em mim a força de todas as mulheres e de vez em quando desconfio dos meninos; prometo nunca me casar, nem ter filhos, mas amarei a lua eternamente.
ATENA - me apaixono pelos homens por sua capacidade de pensar, não necessariamente por sua beleza; "o encontro de mentes, o mais puro tipo de amor."
ATLAS - muitas vezes pereço carregar o mundo nas costas.
CRONOS -exalo pensamentos malignos e desperto monstros inquietos das profundezas.
DÉDALO - me perco em labirintos construídos por mim mesma.
DEMÉTER - chantagista e manipuladora  (ops, foi mal).
DIONÍSIO - sofro de dipsomania (propensão mórbida ao uso de bebidas alcoólicas).
FÚRIAS- a raiva, a vingança e o ciúme podem ser combustíveis de alta potência.
GAIA - minha alma é tão antiga quanto a mais velha das deusas.
HADES - olhar intenso, hipnotizador e maligno; geralmente mal interpretado. 
HEFESTO - sou pau pra toda obra, mas é 'fogo', não sou de 'ferro'.
HERA - quem mexe com a pessoa amada,  merece ser castigada; trabalhar nos bastidores é meu lema.
HÉRCULES - realizo mais de 12 trabalhos simultaneamente.
HERMES - tenho asas nos pés (também conhecida por síndrome de office boy) e adoro pegar uma estrada.
HÉSTIA - no lar está o conforto, o verdadeiro quentinho da lareira.
ÍRIS - a comunicação é um dom que precisa ser trabalhado; quem sabe a astrologia me transforme numa "mensageira dos deuses"?
JANO - vivo em constantes transformações; fico parada diante das portas, mas algo sempre acaba dando uma empurradinha. Sofro um pouco com o lance das escolhas, mas... "A porta que lhe é fechada pode ser a oportunidade de enxergar uma outra aberta ao seu lado: o foco se abre e com ele as possibilidades."
MEDUSA - às vezes perco a cabeça.
MORFEU - existe um sono eterno que mora no fundo dos meus olhos.
ORFEU - na medida certa, a música pode nos guiar nos caminhos tensos.
PÃ - ainda tem muito medo e sombra aqui dentro; pânico, enfim!
PANDORA - levo bronca até quando estou quieta, mas não perco a esperança.
PÉGASO - meu vibrador tem esse nome, pois é um caraio de asas que me leva rapidamente às alturas.
PERSÉFONE - vivo em ciclos difíceis de luz e trevas (especialmente os mensais).
PERSEU - espero ter um final feliz. 
POSEIDON - "mesmo quando estou fora d'água, a água está dentro de mim"; porém, assim como o  mar não gosto de ser contida.
PROMETEU - tento levar um pouco de luz, de conhecimento aos seres humanos presentes nas minhas aulas.
TÂNATOS- nas pequenas mortes cotidianas eu me transformo. O fundo do poço é um lugar que não existe.
TÉRMINO - "regras são regras, quando as pessoas não seguem regras eu fico muito zangada". Tudo tem limite.
URANO - o céu é o início de tudo; é o espelho que guia meus passos aqui na Terra.
QUÍRON - tenho feridas que não fecham nunca. Consigo ver como melhorar os outros, mas não consigo me salvar. 
ZEUS - fiz meu pai desaparecer. 

(ELÍSIO - é meu paraíso)

E você, que deuses te habitam?



terça-feira, 13 de novembro de 2012

É MELHOR NÃO OLHAR PRA NÃO VER

ÀS VEZES O QUE EU VEJO QUASE NINGUÉM VÊ



Plutão para os romanos era Hades para os gregos. Irmão de Zeus e Poseidon. Muito se fala dos dois outros deuses, mas Hades ficou renegado à escuridão do conhecimento popular. Por estar relacionado à morte, provocava medo na Grécia Antiga, motivo provável para não pronunciarem muito seu nome ao longo do tempo.

Então vou contar uma história bonita que ouvi sobre esse deus que aprendi a gostar (talvez por identificação).

"Não falo como você fala, mas vejo bem o que você me diz."

Quando Cronos (o pai dos carinhas) foi destronado, Zeus ficou com o céu, Poseidon com o mar e Hades com o mundo inferior, da podridão, dos mortos.

Pode-se pensar que Hades se deu mal, mas a ironia do destino provou que Hades era o mais poderoso de todos, pois percebeu que lá embaixo o mundo era rico, cheio de pedras preciosas e, melhor, tinha uma visão privilegiada (afinal ninguém sabia o que ele via) das coisas obscuras dos outros deuses e dos homens. Conhecia todos os segredos. Sabia de tudo, mas não fazia uso desse conhecimento.

A força de Hades era tão densa que o fazia derrubar tudo ao redor quando passava. Tinha o dom da telecinesia, mexia algumas coisas com o poder da mente e explodia outras com o poder do olhar. Criaram então para ele um capacete para conter esse "olhar 43".

Cresceu vendo a destruição que era invisível para os outros e de tanto ver coisas erradas, feias e injustas, desenvolveu um grande ódio de si mesmo e do mundo. Acabou optando pela solidão por essência.

Além de estar escondido no submundo, fazia também em volta de si um campo de força e ninguém o conseguia ver. Porém, vez ou outra, quando se saturava de ver tanta podridão aqui na superfície ele subia e destruía tudo. Conhecemos esse fenômeno como TERREMOTO. Todo mundo sabia quando ele estava na área: aquele barulhão dos movimentos tectônicos e um silêncio constrangedor depois... Quando sua carruagem ia embora, deixava um buraco na terra. Todos sabiam que a natureza tinha sofrido um castigo pelos maus hábitos dos deuses e homens e a destruição era a prova cabal da punição sofrida. Era hora de cada um enfrentar sua verdade.

Hades representa, portanto, o ato de você enfrentar as próprias escolhas na hora da morte. Antes de chegar até Hades, o morto tinha que ir no barco de Caronte pelo rio Estige e esse já ia adiantando o expediente. Caronte puxava papo e o morto ia contando sobre sua vida. Caronte então decidia para onde levar o falecido: para o Paraíso (Campos Elísios) ou o Limbo (purgatório). Esse segundo lugar propiciava um tempo para eliminar mágoas, ódios ou o apego às questões terrenas.

Na hora do encontro final com o deus, Hades tirava o capacete e sugava a pessoa para o seu mundo com os olhos. Depois que a pessoa tinha refletido sobre seus feitos e enfrentado suas verdades, Hades então refazia o corpo que ele tinha absorvido.

Hades ajudava a pessoa trazer à tona o que realmente era importante, tudo aquilo que já sabia, mas ainda não tinha compreensão. A necessidade de reconhecer o que de fato conta na vida.

A grosso modo, o diálogo seria mais ou menos assim:

Hades; Vou cortar seu braço. Você prefere que seja o esquerdo ou o direito?
Morto: O esquerdo.
Hades: Qual o motivo da escolha?
Morto: Sou destro.
Hades: Ótimo, você fez a escolha certa. Agora você pode ficar com os dois, mas nunca mais se esqueça da importância que ambos têm para você!

Escrevi tudo isso pra dizer que por volta dos 35 anos, Plutão passa a ter grande influência em nossa vida. Portanto, chegou a minha hora da verdade. O que realmente importa? O que devo dar continuidade, reconhecer a relevância e o que devo jogar no lixo? Quais reviravoltas eu mesma causarei, que frustrações enfrentarei? Que contribuições farei pra mim e pros que estão em volta? O que vale a pena de fato? O que precisa ser aperfeiçoado e o que é tão medíocre que pode desaparecer?

Hades propõe duas ações na carta Morte do tarô:


  • Positiva - a destruição trasnformadora
  • Negativa - transformação destrutiva


Detalhe... e se logo nessa fase de conversar com o Grilo Falante fantasiado de Darth Vader, Saturno estiver brincando de cabo de guerra com Plutão? 

Leia aqui: caminhão





terça-feira, 3 de julho de 2012

OS NOMES TÊM PODER. VOCÊ SIMPLESMENTE NÃO SAI POR AÍ OS USANDO SEM MOTIVO.

Quando ainda era um feijão dentro da barriga, mamãe escolheu 3 nomes pra mim: Eva, Ana ou Reia. Ficou com o primeiro, mas sempre pensei sobre a possibilidade de talvez ter sido um dos outros e muito provavelmente eles coexistam em mim:

EVA

Essa qualifica quem me tornei na vida real. A raiz de todo o 'mal' e que significa vida. A primeira mulher a existir na história cristã, mas a última a entender essa vã existência. A que procura respostas dentro de infinitas maçãs e só encontra mais e mais perguntas.

ANA

Simboliza minha sombra. Todas as mulheres que me causam inveja. As que são o que não posso ou consigo ser. São as melhores amigas das melhores amigas, as que vão de carona, que pertencem aos grupos e vão em lugares que jamais estarei. As mais espertas, mais sociáveis, mais magras, mais interessantes que eu, enfim.

REIA

Essa é a grande surpresa. Nunca perdoei minha mãe por ter pensado num nome estranho desse. E só agora beirando a velhice entendo como teria sido legal tê-lo recebido. Vejam que coincidência: Reia é a titânide que casou com seu irmão Cronos e deu à luz Héstia, Deméter, Hera, Hades, Poseidon e Zeus!
Agora que entrei nesse mundo mitológico queria muito mudar de nome. Se já é legal ter o poder de ser a "mãe de todos os homens", imagina ser a "mãe de todos os deuses"!!!



quinta-feira, 29 de março de 2012

A BOCETA DE PANDORA

Ontem, fuçando as cartas do tarô, descobri que a única que nunca saiu pra mim foi a Estrela, que representa Pandora na mitologia grega. Hoje, num dia de merda, cuja única palavra que consegui expressar aos outros foi "BOCETA", fui googlear... e eis que coincidências se manifestaram novamente:

Aprendi que boceta nada mais é que uma pequena caixa. Portanto, em vez de Caixa de Pandora, como o mito é conhecido, passarei a dizer agora Boceta de Pandora.

E mais, Pandora nada mais é que a Eva. Boceta e Maçã, portanto, são similares. Ou seja: origens de todos os males da humanidade!  Muito mais legal imaginar uma boceta cheia de presentes-surpresa do que uma mera maçã vermelha e lustrosa. Abra uma boceta e receba tragédias grátis! 

Nostradamus prevê que no fim dos tempos, Eva trocará a maçã pela boceta e foderá o universo todo!

O que posso aprender? Que certas bocetas devem ficar fechadas! Curiosidade matou o gato? Não, a chana!

Só uma coisa não escapou da caixa: a esperança! A tal Estrela lá de cima... mas vou ter que esperar. Ela não aparecerá num ato deliberado de minha parte, simplesmente continuará ali, presa no fundo da boceta.

terça-feira, 20 de março de 2012

EM ÉPOCA DE MEXERICA, PLANTE MEXERICA

Hoje começa o Ano Novo astrológico. Acontece o conhecido equinócio de outono... aequus(igual) e nox (noite), significa "noites iguais". A grande laranja 'dividida' exatamente ao meio: primavera no norte e outono no sul.

Muitas culturas festejam essa data de diferentes formas, sempre lembrando a promessa de vida após a morte, no sentido do eterno recomeço. A Páscoa é um exemplo!

Mas queria falar do mito associado ao primeiro signo da roda zodiacal (Áries): JASÃO E OS ARGONAUTAS

A aventura de Jasão em busca do velocino de ouro (pele do carneiro dotado de razão e fala) representa a jornada corajosa rumo ao desconhecido. É uma missão na qual o herói depende de suas faculdades além da vontade e do pensamento racional. Pode ser representada como a imaginação criativa e de seu misterioso poder de provocar acontecimentos e proporcionar soluções. É uma aventura específica que diz respeito ao tema central da IMAGINAÇÃO HUMANA.

Vale lembrar que Jasão só foi bem sucedido graças ao grupo que o acompanhava (argonautas).

Porém, também Jasão representa o tédio. Ele se enfastiou da vida e o reino conquistado não passava de um peso a carregar. Ficava sentado à sombra do navio, que acabou por despencar um pedaço na sua cabeça causando sua morte.

Então, amigos, é hora de inventar planos. Ano novo é sempre tempo de projetar expectativas e ações...

Porém, lembrem-se: em época de mexerica, plante mexerica... não vale semear maçã!


* referência: tarô mitológico

quinta-feira, 8 de março de 2012

SÃO OS HORMÔNIOS. TEM DE FUGIR ENQUANTO É TEMPO. CORRA E NÃO PARE. É COMO TER UM MONSTRO DENTRO DE MIM E NÃO SEI CONTROLÁ-LO...

Os gregos diziam que o Cosmo foi e sempre será belo e calmo. Por mais que a gente teime em ameaçar sua existência, ele tá lá de boa, acomodando todos os elementos do seu jeito, nem aí pras miudezas.

A ideia de usar cosméticos seria pra que a humanidade procurasse ficar bonita e tranquila como o Cosmo.

Gostei do assunto e fui buscar a etimologia. Me deparei com o interessante blog origem da palavra e vou copiar (espero que não dê problema nesses tempos difíceis de ECAD).

Acontece que – olhe que bonito! – kosmós em Grego significava “ordem, disciplina, organização”. Esse significado de “ordem” mais tarde se expandiu para englobar “a ordem do Universo” e finalmente se fixou como sinônimo de “Universo”, que usamos como sinônimo de cosmo.

O blog diz: Elas se pintam, dizem, para ficar bonitas para os homens. Agora, vou-lhe contar uma coisa muito especial: na verdade é para poderem enfrentar as outras mulheres numa luta muito, muito antiga.

Quem dera não fosse a mais pura verdade...

E ainda:

kosmetés era a pessoa que arrumava – colocava em ordem – as roupas, atavios, pinturas e perfumes de sua senhora (kósmesis era “enfeite, adorno”). O nome dessa função acabou se fixando em parte dos materiais com que ele lidava, gerando os nossos conhecidos cosméticos.


Aproveito o tema para homenagear as mulheres que diariamente usam os tais cosméticos para esconder a verdadeira e brutal beleza da força que as move e que fica marcada no corpo em forma de olheira, descabelamento, esverdeado cutâneo consequência de cólica, espuma na boca por decorrência de paranoia hormonal... 


Fico um pouco irritada com esse clima de 'mulheres-coitadinhas', 'mulheres-do-futebol', 'mulheres-fortes' ou ainda 'mulheres-mães'. Somos tudo isso junto e misturado. Somos o poder da criatividade mais do que o poder da criação. Estamos o tempo todo mudando nossa persona. E se isso é péssimo e desesperador em alguns dias, fico absolutamente encantada com nosso poder de metamorfose diária.

Hoje à noite olhe pra lua cheia, se possível uive pra ela, sinta a beleza de todas as suas fases, afinal você é como ela. E até que escureça, pegue a energia explosiva da tempestade solar.

Então nada mais justo que as mulheres procurem externamente a beleza do Cosmo, porque por dentro, todas nós sabemos que a bagunça é enorme. Nós somos o complexo universo: a beleza, os desastres, a vida e a morte. Somos tudo o que já foi, tudo o que é e tudo o que será. Somos a totalidade. Somos a Eva e a Lilith. Somos a própria lei da entropia.

Não vale fazer a piada do "chama o Cosmo" à la  filme "Se eu fosse você". Troca aê pra ver se é fácil...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

NA VIDA, AO CONTRÁRIO DO XADREZ, A VIDA CONTINUA DEPOIS DO XEQUE-MATE

Primeiro dia de aula, eu com o coração aflito e tiro a carta HIEROFANTE. 


É a figura de Quíron, sacerdote e sábio educador de todos os jovens heróis da mitologia.

Quíron também era um grande curador e conhecia o segredo das ervas e das plantas, porém ele era incapaz de curar a si mesmo.

Foi condenado a viver com a dor, sacrificando a felicidade do mundo e dedicando-se a ensinar a sabedoria espiritual.

A ferida de Quíron faz com que ele seja o Curador Ferido, aquele que, por meio de sua própria dor, pode compreender e apreciar a dor alheio e, portanto, pode enxergar muito além do que aqueles que estão cegamente satisfeitos. 

Ele implica que o indivíduo começará a, ativamente, procurar respostas de nível filosófico. Pode ser o estudo de uma filosofia particular ou como o compromisso profundo de busca por um significado para a vida.

Todos vocês que já levaram um chifrinho meu em fotos, sintam-se agraciados. Eu não sabia que esse era um antigo sinal de bênção.


* me recuso a falar sobre outro tipo de chifrinho (corno vai, corno vem... quem fica é corno quem vai também)
**tarô mitológico